Meu nome é Albert. Não sei mais o que
dizer. Venho me acostumando a não sistematizar meus processos, afinal o que
importa é o produto. O que importa é não ser violada pelos homens ou pela
fome. Aprendi, em poucos anos, que
servir me protege do ataque; para estar salvo, é preciso apenas aparar as
curvas do corpo e do comportamento, de forma que estes estejam de acordo com
algo que não compreendo, mas aceito.
Desculpe,
me sinto interrompida como um coito de mulher seca demais para a penetração.
Meus vislumbres de frases parecem estar sendo sugados assim como ocorreu às
minhas bochechas femininas. Talvez o mundo dos homens tenha me deixado enxuta
demais. Hoje eu não consigo sorrir. Aliás, consigo. Dia desses achei graça de um
garçom com olho roxo. Talvez vingança, mas não importa. O que importa é não ser
violada pelos homens ou pela fome.
Todos os
dias me travisto do que esperam em mim e, embora um susto sereno ainda me
assalte, me uso como espelho para que o monstro se reconheça na sua, agora
minha, monstruosidade e, assim, ao menos me ignore. É doce a minha ilusão de
felicidade ao ser ignorada. Me desculpem o açúcar do termo, a feminilidade vem
me tentando a ponto de eu compreender a ilusão sem aceitá-la.
Preciso
de um parágrafo. Acho que houve, aqui, uma revira sem volta. As mulheres me
cochicham: é preciso alarde para ser. É preciso vestido, colo, amor. É preciso
um processo feminino diário. É preciso alarde.
A fome e os homens também nos violam com a indiferença. É preciso
alarde.
Sem mais reparos nas curvas do
corpo ou do comportamento, aprensento-lhes meus seios com toda a sua miséria,
mas apresento-lhes meus seios.
Junho/2012

tão bonito..
ResponderExcluirnão a fome
não os homens
você todinha e sua palavra!