Tinha uma apresentação de dança, um palco. Era um festival. Mas nem se me interessava. Só queria correr até mim, e conversar.
"Pernambuco é só trabalho e carro", disse. Queria ir embora. E estava perdida.
Concordamos, sem muita discussão, que seria melhor procurar o inimigo do qual havia fugido. Isso porque ter o que combater já é um rumo, um se encontrar. Ir embora é coisa séria, se expandir é perigoso. O horizonte é escuro.
E é por isso que estava voltando atrás. Bem atrás.
Logo soubemos que estavam a me caçar Cecília. Eu me deixei Cecília em um lugar, como que um quiósque, e fui procurar e encontrar o inimigo que oferecia rumo. Me entreguei Cecília. Achava necessário.
Voltando, não parava de soluçar. Num carro.
Depois... depois fui me visitar Cecília. Parecia bem. Parecia. Até vi um caderno em que contava muitas felicidades, todas bem ilustradas e coloridas.
Entre tanto:
"A tristeza a envolveu" num papel amarelado.
Era a última folha de uma história com letra e desenhos de criança.
O beco definitivamente não lhe me bastava. Combater era rumo meramente destrutivo. Caos sem depois. Só se sabia das negativas, do não. Mas e o sim?
Queria querer, mas apenas não queria. E ficava aflita com isso. Desejava saber o que desejava. Precisava construir. No entanto, tinha medo de abandonar novamente o inimigo. Havia o risco de se perder. O horizonte é enorme.
Decidia, assim, por ser covarde. Por negar a liberdade. Por negar.
O pouco garantido me acomodou Cecília. Foi freio para o além.
E nem mais chorava, estava seca. O último grito da minha tristeza de Cecília foram as palavras daquela e dessa folha amarelada.
Julho/2009

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